quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O batismo da sensibilidade


Bem aventurado os que choram porque serão consolados. Mateus 5.4

Os seres humanos foram dotados de sensibilidade. A frieza, indiferença, apatia entre outros sentimentos dessa natureza são manifestações daqueles que se permitiram ser atingidos pelo mal e tornaram-se infelizes e porque não dizer até desumanos. Humanos choram suas próprias dores, sentem na pele a dos outros, ficam indignados diante da injustiça. Os que choram são felizes por conseguirem preservar a sua natureza, sua vocação de ser gente. Podemos afirmar então que chorar é também uma condição espiritual, um modo de ser do discípulo de Jesus.

O choro ao qual Jesus se refere não é apenas o ato lacrimal, uma função biológica que todos possuímos ou uma descarga emocional. Essa sensibilidade a qual Ele se refere é uma virtude daqueles que se percebem bem pela felicidade de serem portadores da compaixão de Deus - choro que gera felicidade é a com-paixão pela vida.

Sem essa compaixão que geme e intercede, clamor que busca em Deus socorro para os fragilizados, o choro é apenas uma descarga emocional. Os discípulos choram e são felizes porque o choro vem como sinal da humanidade interior redimida. Eles reconhecem suas limitações, as confessam, se arrependem de seus pecados. E na confissão encontram a alegria de serem amados e acolhidos pelo perdão de Deus.

O discípulo não é feliz apenas pelo acolhimento do perdão mas também pela esperança de consolação proveniente de Deus.

E finalmente os que choram são felizes porque tem, pelo Espírito, a sensibilidade de se colocar no lugar do outro, especialmente dos fracos, aflitos e necessitados. São felizes pela capacidade de amar livremente.








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